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O Grande Clássico Toscano Que Você Ainda Não Descobriu

O Grande Clássico Toscano Que Você Ainda Não Descobriu

18/02/2026

Marcelo Copello

Itália

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Em recente viagem a Toscana, para o evento Anteprima del Vino Nobile di Montepulciano 2026, pude provar mais de 100 de vinhos desta DOCG e confirmar sua qualidade. A seguir um guia completo para conhecer e apreciar este clássico toscano, com uma seleção dos melhores vinhos que provei.

Conheça o Nobile

O Vino Nobile di Montepulciano nasce na Toscana, na província de Siena, no sudeste da região, entre o Val d’Orcia e o Val di Chiana. A belíssima cidade de Montepulciano, medieval e situada sobre colinas que variam entre 250 e 600 metros de altitude, é o centro da denominação. O clima é continental moderado, com verões quentes e secos e boa amplitude térmica, fator importante para a maturação equilibrada da uva. Os solos combinam argilas, areias e sedimentos marinhos antigos, o que contribui para diferentes nuances dentro do próprio território.

É essencial esclarecer uma confusão comum: Vino Nobile di Montepulciano não tem relação com a uva montepulciano usada no Montepulciano d’Abruzzo. São vinhos distintos, de regiões diferentes. O Vino Nobile é feito majoritariamente com sangiovese, chamada localmente de prugnolo gentile.

A uva e o corte

A base do Vino Nobile é a sangiovese (prugnolo gentile), que deve representar no mínimo 70% do corte, segundo a legislação atual. O restante pode ser composto por outras uvas autorizadas na Toscana, principalmente variedades tintas. Hoje, a tendência é trabalhar quase exclusivamente com sangiovese ou com pequenos percentuais de castas complementares tintas, buscando maior identidade territorial.

Em termos de estilo, o Vino Nobile costuma ocupar uma posição intermediária entre o Chianti Classico e o Brunello di Montalcino. Não é tão austero e estruturado quanto um Brunello, mas geralmente apresenta mais densidade e profundidade do que muitos Chiantis.

Histórico

O termo “Nobile” tem origem histórica real. Desde o século XVI, o vinho de Montepulciano era apreciado pela nobreza toscana e por famílias aristocráticas locais. Ao longo dos séculos, consolidou reputação de vinho de prestígio.

No século XX, a denominação foi oficialmente reconhecida como DOC em 1966 e, em 1980, tornou-se uma das primeiras da Itália a receber o selo DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), a categoria mais alta da legislação italiana. Esse reconhecimento reforçou sua posição entre os grandes vinhos clássicos do país.

Classificações oficiais e principais regras

A estrutura qualitativa de Montepulciano pode ser compreendida em ordem crescente de complexidade e exigência: Rosso di Montepulciano DOC, Vino Nobile di Montepulciano DOCG, Vino Nobile Riserva e Vino Nobile com menção Pieve.

O Rosso di Montepulciano DOC é a porta de entrada da região. Trata-se de um vinho mais jovem, fresco e frutado, geralmente com menor influência de madeira e liberação mais precoce ao mercado. A legislação exige composição majoritária de sangiovese (mínimo de 70%), graduação alcoólica mínima em torno de 12%, e rendimento máximo mais generoso que o do Nobile, podendo chegar a cerca de 9 toneladas por hectare (ou aproximadamente 70 hl/ha, conforme conversão). O envelhecimento obrigatório é mais curto, normalmente alguns meses, sem exigência prolongada de maturação antes da comercialização.

O Vino Nobile di Montepulciano DOCG representa o núcleo histórico e qualitativo da denominação. Deve conter no mínimo 70% de sangiovese (prugnolo gentile). O rendimento máximo permitido é mais restritivo, cerca de 8 toneladas por hectare (aproximadamente 56 hl/ha), buscando maior concentração e qualidade. A graduação alcoólica mínima é de 12,5%. O envelhecimento obrigatório é de pelo menos dois anos, contados a partir de 1º de janeiro após a colheita. Parte desse período costuma ocorrer em madeira, seja em grandes botti tradicionais, seja em barricas, embora a legislação não imponha um tempo mínimo específico em carvalho — apenas o tempo total de maturação antes da venda.

A categoria Riserva eleva as exigências. Mantém as mesmas regras de composição e rendimento do Nobile, mas exige envelhecimento mínimo de três anos antes da comercialização. A graduação alcoólica mínima sobe ligeiramente, geralmente para 13%. O resultado costuma ser um vinho mais estruturado, complexo e com maior potencial de guarda, apresentando evolução aromática mais evidente.

No topo qualitativo está a menção Pieve, introduzida recentemente para destacar subzonas históricas específicas dentro do território de Montepulciano. Os vinhos Pieve devem ser elaborados exclusivamente com uvas provenientes da subzona indicada no rótulo, respeitando regras ainda mais rigorosas de produção, incluindo rendimentos mais baixos e exigências adicionais de maturação. A graduação alcoólica mínima segue o padrão elevado da categoria superior e o envelhecimento mínimo acompanha o do Nobile (ou mais, conforme enquadramento como Riserva). A proposta das Pieve é reforçar a identidade territorial e a expressão de terroir, tema que merece aprofundamento específico.

Em todas as categorias, os vinhos passam por análises químicas e avaliação sensorial antes da certificação, garantindo conformidade com os parâmetros da DOC ou DOCG.

Estilo e perfil sensorial

O Vino Nobile costuma apresentar cor rubi intensa, aromas de cereja madura, ameixa, flores secas e ervas mediterrâneas. Com o envelhecimento, surgem notas de especiarias, couro, tabaco e nuances terrosas elegantes.

Em boca, é um vinho de médio a encorpado, com taninos presentes, mas geralmente mais polidos do que os do Brunello. A acidez é equilibrada, conferindo frescor e capacidade de envelhecimento. O estilo geral privilegia harmonia e elegância, evitando extremos de potência ou de leveza.

A madeira pode variar conforme o produtor. Tradicionalmente, utilizam-se botti grandes de carvalho, mas muitos produtores também empregam barricas francesas, ou uma combinação de ambas. Nos últimos anos, observa-se tendência de reduzir a marca excessiva de madeira, buscando maior pureza de fruta.

Tendências e novidades

Nos últimos anos, o Vino Nobile vive um momento de redefinição. A criação das Pieve reforça o foco na expressão específica do território. Há crescimento significativo de práticas sustentáveis e produção orgânica. Também se percebe esforço coletivo do consórcio para afirmar uma identidade própria, evitando a comparação constante com Brunello ou Chianti.

A tendência atual valoriza elegância, precisão e equilíbrio, em vez de concentração excessiva ou extração exagerada.

Harmonização e guarda

O Vino Nobile combina muito bem com massas ao molho de carne, cordeiro, carnes assadas, risotos de cogumelos e queijos curados. Sua estrutura média a alta e boa acidez permitem acompanhar pratos de intensidade intermediária sem sobrecarregar o paladar.

Em termos de guarda, bons exemplares podem evoluir por 10 a 20 anos com facilidade, enquanto grandes Riservas e Pieves podem ultrapassar esse período. Com o tempo, desenvolvem maior complexidade aromática e textura mais sedosa.

Essência e Identidade

O Vino Nobile di Montepulciano é um clássico da Toscana que alia tradição secular, elegância estrutural e um momento contemporâneo de renovação. Não é um vinho de modismo, mas de identidade histórica sólida. Para quem aprecia a sangiovese em sua versão equilibrada e refinada, Montepulciano oferece uma das interpretações mais interessantes e, muitas vezes, ainda subestimadas da Toscana.

Ranking da Prova

Categoria Vino Nobile di Montepulciano

Nota/Produtor/Safra

94 La Combàrbia 2022

93 De’ Ricci 2022

93 Barbicaja 2021

93 Contucci 2021

93 Boscarelli 2023

93 Poderi Sanguineto I e II 2023

93 Guidotti 2023

93 Tenuta di Gracciano della Seta 2023

93 Az. Agr. Crociani 2023

92 Il Macchione 2022

92 Podere Tiberini “Podere Le Caggiole” 2022

92 Il Conventino 2022

92 Godiolo 2022

92 Cantina Fassati - Fattoria Salteccio “Pasiteo” 2021

92 Luteraia 2020

92 Montemercurio “Messaggero” 2020

92 Avignonesi 2023

92 Il Molinaccio di Montepulciano “La Spinosa” 2023

92 Poliziano 2023

91 Ercolani 2022

91 Le Bèrne 2023

91 La Ciarliana 2023

91 Lunadoro “Pagliareto” 2023

91 Tenuta Fontenuova 2023

90 Cantina Chiacchiera 2022

90 Cantina D&D “Il Massaro” 2022

90 Icario 2021

90 Palazzo Vecchio “Maestro” 2021

90 Le Bertille 2023

90 Marchesi Frescobaldi - Tenuta Calimaia 2023

90 Talosa “Alboreto” 2023

90 Raspanti 2023

90 Tenuta Poggio alla Sala 2023

89 Tenuta Golo 2022

89 Bindi Sergardi 2021

89 Vecchia Cantina di Montepulciano “Cantina del Redi”  2023

89 Tenuta Trerose “Santa Caterina” 2023

88 Fanetti - Tenuta S. Agnese 2022

88 Fattoria del Cerro “Silineo” 2022

88 Lombardo 2022

88 Fattoria Svetoni 2023

88 Manvi “Arya” 2023

88 Tenuta Abbadia Vecchia 2023

88 Tenuta Aliotti “Conte Niccolo” 2023

87 I Cipressi 2022

87 Tenuta Santavenere - Casa Vinicola Triacca “Santavenere” 2021

87 Cantine Innocenti 2019

87 La Braccesca 2023

Categoria Vino Nobile di Montepulciano SELEZIONE

Nota/Produtor/Safra

95 De’ Ricci Selezione “Soraldo” 2021

95 Contucci Selezione “Mulinvecchio” 2021

93 Avignonesi Selezione “Poggetto di Sopra” 2022

93 Canneto Selezione “Casina di Doro” 2021

93 La Ciarliana Selezione “Vigna ’Scianello” 2021

92 Bindella - Tenuta Vallocaia “I Quadri” 2023

92 La Braccesca Selezione “Vigneto Santa Pia” 2022

90 Barbicaja Selezione “La Ripa” 2021

90 Villa S. Anna Selezione “Poldo” 2021

90 Fattoria del Cerro Selezione “Antica Chiusina” 2020

Categoria Vino Nobile di Montepulciano RISERVA

Nota/Produtor/Safra

95 Poderi Sanguineto I e II Riserva 2021

94 Crociani Riserva 2022

94 Tenuta di Gracciano della Seta Riserva 2022

93 Le Bèrne Riserva 2022

93 Palazzo Vecchio Riserva 2020

92 Bindella - Tenuta Vallocaia “Vallocaia” Riserva 2022

92 Boscarelli Riserva 2022

92 Canneto Riserva 2022

92 Lunadoro Quercione” Riserva 2022

92 Carpineto Riserva 2022

92 Il Molinaccio di Montepulciano Riserva “La Poiana” 2020

92 Lombardo Riserva 2020

91 I Cipressi Riserva 2020

90 Tenuta Abbadia Vecchia Riserva 2022

90 Marchesi Frescobaldi - Tenuta Calimaia Riserva 2022

90 Tenuta Poggio alla Sala Riserva 2021

90 Casale Daviddi Riserva 2020

90 Tenuta Valdipiatta Riserva 2020

89 Manvi “Ojas” Riserva 2022

88 Tenuta Fontenuova Riserva 2022

88 Antico Colle Riserva “Il Saggio” Riserva 2021

88 Vecchia Cantina di Montepulciano Riserva 2021

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com