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Vinícola imperdível para visitar na Espanha

Vinícola imperdível para visitar na Espanha

12/01/2016

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Do alto da torre giratória da vinícola Eguren Ugarte têm-se uma fantástica visão 360 graus de toda a Rioja Alavesa e da Serra Cantábria. Este é um sonho realizado de Victorino Eguren Ugarte,  (hoje com 80 anos e ainda trabalhando todos os dias), que sempre quis poder ver toda a região enquanto bebia vinho diretamente de sua bota (típico cantil espanhol de couro de cabra).

A ligação da família Eguren com o cultivo da vinha remonta a 1870, desde que o tataravô de Victorino, Anastasio, trocou a atividade itinerante de comerciante de chocolates por algo mais perene, tornando-se viticultor na Rioja Alavesa, uma das mais nobres áreas de toda a Rioja.

Hoje a cargo de Koldo Eguren, filho de Victorino e sexta geração da família, a empresa é plena. A qualidade de seus vinho chama à atenção, embora seu hotel com a já citada torre despontando no horizonte, roube a cena.  Não é por acaso que ali acontecem cerca de 30 festas decasamento ao ano. Ao todo a vinícola, que fica a cerca de 20km de Logroño, recebe nada menos que 19 mil visitantes ao ano, que lotam permanentemente os 21 quartos de seu hotel butique e as poucas mesas de seu excepcional restaurante de cozinha contemporânea, sob o comando do chef argentino Fabián Rolando Tofolón Schefer. A vista aqui é tudo. Os quartos e o restaurante são estratégicamente posicionados com vista de um lado para os vinhedos e do outro lado para a imponente sala de barricas.

Uma atração à parte são as caves, que formam diversos túneis de pedra, feitos à mão por Victorino, que correm por debaixo do hotel-vinícola. Estas caves guardam dezenas de nichos-adega, que ostentam os nomes dos clientes que ali guardam seus vinhos (para ter direot a um nicho basta comprar 600 euros em vinho ao ano)

A Eguren Ugarte trabalha com 3 linhas de vinhos, Kame - mais modernos e fáceis de beber, a linha intermediária e tradicional, Ugarte, e os vinhos topo de gama, Eguren.

Fui a Espanha visitar a Eguren Ugarte e fiz com exclusividade verticais de seus melhores vinhos,  Martín Cendoya e Anastasio. Vale registrar que esta foi a primeira vez que verticais destes vinhos foram feitas. Ambos são elaborados a partir de vinhas centenárias e de produção muito pequena.

Vertical de Martín Cendoya

Elaborado a partir de cepas centenárias, o Martín Cendoya leva com proporções que variam, mas sempre com maioria de Tempranillo, cerca de 80%, completado com 15% de Graciano e 10% de Mazuelo. Estágio de 15 a 18 meses em barricas novas feitas com parte com madeira francesa (seu corpo) e parte com madeira americana(seus tampos).  O preço é de R$ 295,00 e a safra disponível no momento no Brasil é a 2008.

Martín Cendoya 2003

Cor granada muito escura, indo de rubi para alaranjado. Aroma intenso e rico, com madeira aparecendo na frente, seguida de notas de couro, carne, defumados, caminhado para aromas de evolução, muitas especiasrias, fruta seca, lácteos, Paladar macio e de bom corpo, sem grande volume, com  acidez correta, cai um pouco no meio e fim de boca. Pronto para beber, não deve evoluir mais.

Nota: 89  pontos.

Martín Cendoya 2004

Parece 10 anos mais novo que o 2003. Cor jovial, rubi escuro violáceo. Aroma rico e com uma nota de fruta ultramadura, geléias, chocolate, muitos tostados. Paladar encorpado, taninos finos e doces, ainda secantes, com um toque de rusticidade, boa acidez, 14% de álcool, uma safra clássica.

Nota: 92 pontos.

Martín Cendoya 2005

Rubi escuro violáceo. Mais elegante, fino e frutado que o 2004, fruta mais madura, com madeira nova bem integrada ao conjunto, alcaçuz, ameixas, amoras, tabaco. Paladar encorpado, com bom volume de boca, taninos muito finos, macios, acidez equilibrada, 14% de álcool, longo e elegante, com finesse, o melhor desta prova.

Nota: 94  pontos.

Martín Cendoya 2006

Rubi violáceo muito escuro. Perfil aromático diferente dos demais. Aroma intenso e concentrado com notas de defumados, balsâmicos, empireumáticos, borracha queimada, frutas negras, nota floral, fundo mineral. Paladar igualmente concentrado, opulento, taninos volumosos e presentes, um pouco rústicos, acidez presente, com 13,5% de álcool. Meno finos que o 2005, um pouco mais bruto, imponente.  

Nota: 89 pontos.

Martín Cendoya 2008

Como 2007 não foi feito pulamos para o 2008. Rubi violaceo muito escuro. Aroma expressivo, intenso e rico, com notas de carne, couro novo, tabaco, fruta madura, madeira bem casada, balsâmicos, ervas. Paladar volumoso, taninos finos e ainda bastante secantes, 14% de álcool, boa acidez. Impactante, deixa uma impressão muito boa, de um conjunto equilibrado e coeso.

Nota: 93 pontos.

Martín Cendoya 2009

Rubi violáceo escurto. Aroma concentrado e vincado, fruta madura, madeira muito bem integrada, compacto, abriu-se ao longo da prova, mostrando fruta limpa e bom frescor. Paladar encorpado, compacto, taninos vivos, acidez equilibrada. Ainda jovem, aguardar mais 1-2 anos antes de consumir, pode viver bem mais uma década.

Nota: 90 pontos.

Vertical de Anastasio

Este vinho é ápice da produção da empresa. Apenas 5,5 mil garrafas ao ano são feitas, a partir de um vihedo de 2,14 hectares, de vinhas 100% tempranillo plantadas em 1912, com um rendimento baixíssimo. Permanece 8 a 10 meses em barricas 100% francesas novas. Somente algumas garrafas da safra 2007 chegaram ao Brasil, ao preço de R$ 899 cada.  

Anastasio 2004

Granada escuro, ainda no caminho entre rubi e alaranjado. Aroma de grande complexidade, com pouca madeira, que se submete a um amplo panorama de aromas, com notas de musgo, frutas secas, couro novo, especiarias, tomilho, cedro, tabaco. Paladar macio e estruturado ao mesmo tempo, com taninos finíssimos, ainda secantes, acidez moderada e equilibrada, textura aveludada, grande riqueza e complexidade, grande vinho.

Nota: 96 pontos.

Anastasio 2005

Mostrou-se talvez como o melhor de todos, finíssimo, com taninos doces, muita concentração de fruta bem madura, com notas de lavanda, balsâmicos, tostados, cedro. Paladar equiilibrado, encorpado e de taninos doces e finos. Este foi provado durante um jantar e sem notas no momento da prova.

Nota: 96 pontos.

Anastasio 2006

Rubi violáceo escuro. Fechado, com o mesmo perfil aromático que 2004 e 2005, mas bem menos expressivo que as safras anteriores, mais sério, com notas de café, frutas negras muito maduras, balsãmicos. Paladar encorpado e seco, taninos volumosos, conjunto com um toque de rusticidade se comparado aos demais Anastasios. Precisa de mais tempo de garrafa.

Nota: 92 pontos.

Anastasio 2007

Rubi muito escuro e violáceo. Aroma intenso e focado nas frutas, menos rico e menos complexo que o 2004, mas mais fino que o 2006,com notas de coco, caramelo, tabaco, café, geléias de frutas negras, tomilho. Paladar de ótima estrutura, com de grande fineza, entre secos e doces, acidez equilibrada, longo e com grande finesse.  

Nota: 95 pontos.

SERVIÇO

www.egurenugarte.com

www.rutadelvinoderiojaalavesa.com

www.lariojaturismo.com

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com