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Grécia, um mar de uvas

Grécia, um mar de uvas

16/03/2017

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Estima-se que no mundo existam hoje mais de 10 mil variedades de uvas identificadas. Nesta conta estão incluídas todas as famílias do gênero vitis. Algumas castas “novas” continuam sendo descritas, outras são criadas artificialmente por cruzamentos, enquanto outras têm seu cultivo reduzido (geralmente por questões mercadológicas) e tendem a extinção.

Apesar desta imensa variedade existente no planeta, no que diz respeito a uvas viníferas, infelizmente cerca de 90% de toda área plantada é ocupada com as mesmas 50 castas. Torna-se então um grande diferencial ter castas autóctones.

Alguns países detêm boas fatias desta riqueza genética, como Georgia, Itália, França, Portugal e Grécia. No caso da Grécia, nosso tema de hoje, o número estimado fica em cerca de 300 castas autóctones. A Grécia produz anualmente entre quase 500 milhões de litros de vinho, dos quais 60% são brancos.

 
As castas mais cultivadas são (em milhares de litros):
 
BRANCAS

Savatiano         61.150

Roditis             57.750

Muscats           11.300

Moschofilero    4.500

Vilana               4.200

Assyrtiko          3.700

 
TINTAS

Agiorgitiko       23.600

Xinomavro        8.340

Mandelaria        3.660

Kotsifali              7.960

Teatro de Dionísio em Atenas. Grécia, berço do teatro e berço do vinho.

Além destas há uma crescente proporção de castas internacionais, como Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Viognier. Vejamos um micro-guia das castas gregas mais importantes:

 
Assyrtiko

Principal uva branca da Grécia em qualidade. É originária de turística de ilha Santoniri no mar Egeu (onde existem muitos vinhedos pré-filoxéricos desta cepa) e hoje está em todo o país. Tipicamente tem pouca cor, toques minerais metálicos, cítricos, com boa acidez mesmo nos terroirs mais quentes. Proporciona bons casamentos com barricas de carvalho, mas tem tendência a oxidação. As vezes nota-se um leve e agradável amargor no fim de boca. Normalmente gera vinhos secos, mas em Santorini é a alma do famoso vinsanto grego, feito com uvas passificadas.

Ilha grega de Santorini – origem da uva Assyrtiko

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Agiorgitiko

Para muitos é a melhor casta tinta grega (eu fico com a Xinomavro). Versátil, faz desde rosés até vinhos de guarda ou mesmo vinhos doces. Reina no Peloponeso, cuja apelação mais famosa é Nemea, pois precisa de calor e longos ciclos de amadurecimento. Casa bem com carvalho e com outras castas em cortes. Os melhores exemplares podem lembrar o estilo cheio de especiarias dos bons Syrah, com fruta densa, ameixa, cereja, cor escura, taninos macios e acidez moderada.  

 
Xinomavro

Ao provar meu primeiro Xinomavro imediatamente me veio à mente a Baga, casta portuguesa que admiro muito. A Xinomavro é “temperamental”, muitos taninos, acidez alta, muita cor, aromas de especiarias, frutas negras e minerais terrosos. Especialistas gregos me apontaram como típico da Xinomavro aromas de tomate – confesso que eu não percebi este aroma nos exemplares que provei. Esta é o tipo de casta que necessita cuidados para não proporcionar vinhos duros e difíceis de beber, mas que nos melhores terroirs e com os melhores cuidados, pode gerar grandes vinhos de guarda. Adapta-se bem ao longo amadurecimento em madeira. Aparece muitas vezes em cortes com outras tintas com o objetivo de tornar a mistura mais fácil de agradar. É comparada também à piemontesa Nebbiolo.

 
Moschofilero

Uva de casca rosada, mais cultivada no Peloponeso, vinificada geralmente como branca, mas também em roses ou até espumantes, secos ou doces. Normalmente proporciona vinhos de pouca cor, leves, de baixo teor alcoólico, com perfil bastante aromático, com cítricos e florais de rosas, com boa acidez.

 
Mavrodaphne

Casta tinta quase sempre usada em fortificados à moda do Porto, mas também em vinhos secos. Proporciona vinhos encorpados, escuros e ricos em aromas e sabores.

 
Roditis

Uvas de casca rosada geralmente vinificada como branca, gerando vinhos leves, de pouca cor, acidez moderada, com aromas cítricos, muito usada em cortes, por ser muito produtiva.

 
Mavroúdi

Esta não é uma casta, mas um termo genérico para indicar variedades tintas cultivadas e colhida mescladas.

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com